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sexta-feira, 21 de março de 2025

Lalá e Zeca Tavares

No coração do sertão paraibano, onde o sol beija a terra árida e o vento sussurra segredos ancestrais, situa-se o Sítio Patamuté, um oásis de vida e cores em meio à caatinga. Lá, entre cactos e pedras, vivia Lalá, uma lagartixa de olhos brilhantes e escamas reluzentes, conhecida por sua graça e agilidade.
Um dia, enquanto Lalá tomava sol em uma pedra quente, um calango garboso e charmoso chamado Zeca apareceu. Com sua crista imponente e movimentos ágeis, Zeca encantou Lalá, que se apaixonou perdidamente. Os dois começaram a se encontrar sob a sombra da mangueira centenária, trocando juras de amor e sonhos de um futuro juntos.
O casamento foi marcado para a noite de lua cheia, com todos os animais do sítio convidados para a celebração. A festa prometia ser grandiosa, com música de grilos e vaga-lumes iluminando a noite. Lalá, radiante em seu vestido de escamas brancas, esperava ansiosamente por seu amado Zeca.
No entanto, o destino pregou uma peça em Lalá. Na véspera do casamento, um preá aventureiro e sedutor chamado Adamastor chegou ao sítio. Com sua lábia afiada e histórias de terras distantes, Adamastor conquistou o coração de Lalá, que se viu dividida entre o amor por Zeca e a paixão por Adamastor.
Na noite do casamento, Lalá tomou uma decisão impulsiva. Fugiu com Adamastor, deixando Zeca plantado no altar, com o coração partido. Os dois amantes fugiram para Cachoeira dos Índios, um paraíso escondido entre as montanhas, onde viveram felizes para sempre.
A notícia da fuga de Lalá se espalhou pelo Sítio Patamuté, causando grande alvoroço. Zeca, desolado, jurou nunca mais amar. Os outros animais, divididos entre a compaixão por Zeca e a admiração pela ousadia de Lalá, aprenderam uma valiosa lição sobre os caprichos do coração e a imprevisibilidade do amor.
E assim, a fábula da lagartixa, do calango e do preá se tornou parte da história do Sítio Patamuté, um conto que ecoa através das gerações, lembrando a todos que o amor é um mistério que nem sempre segue os caminhos esperados.
A lagartixa morreu ontem e foi enterrada no cemitério de Monte Horebe.

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