“Vir para a Itália foi consequência de tudo o que aconteceu desde o 8 de janeiro. Eu fiquei preso no Complexo Penitenciário Papuda, em Brasília, inclusive junto com os rapazes que hoje estão hoje presos novamente na Argentina. Fiquei três meses no presídio e depois fiquei um ano e meio usando a tornozeleira eletrônica e me apresentava toda segunda-feira no fórum.
Chegou um tempo em que muita gente estava chegando no fórum para assinar a presença e saía presa de lá. Eram casos como o meu, o 4921, pessoas que estavam acampadas em Brasília e foram obrigadas a entrar em ônibus. Depois fomos levados para o Campo de Concentração e, após passar pela triagem com delegados, fomos encaminhados para o presídio. Muitos até nem foram à Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro, mas se tornaram réus como eu.
Ao me tornar réu, a minha vida financeira acabou e a minha família está toda separada. Nós perdemos tudo. Além dos bloqueios de bens e contas, eu ainda corria o risco de voltar para a cadeia. E como eu morava em Belo Horizonte, se eu fosse preso seria levado ao presídio para ficar em celas junto com criminosos.
Em dado momento, falei para a minha esposa sobre a vontade de sair do Brasil e ela concordou, porque não queria que acontecesse novamente a minha prisão.
Fui embora. Atravessei a fronteira com a Argentina e algumas pessoas me deram um auxílio inicial. Fiquei seis meses por lá, consegui a documentação de asilo provisório, mas senti muita dificuldade para trabalhar e me manter, pois sempre surgia algum problema para desestabilizar.
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